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Equipe de Ponta Porã, impulsionada por Oscar Schmidt, vence Jebs

Projeto social de basquete, que recebeu apoio crucial do 'Mão Santa' para construção de ginásio, conquista título inédito em Brasília na categoria sub-18.

18/04/2026 às 15:36
Por: Redação

A equipe de basquete Porãbask, de Ponta Porã (MS), conquistou o título nacional dos Jogos Escolares Brasileiros (Jebs) na categoria sub-18 em Brasília, em uma noite marcada por emoção e luto. Pouco antes de entrar em quadra para a final, na sexta-feira (17), os jovens atletas souberam do falecimento de Oscar Schmidt, o "Mão Santa", figura que transcende o ídolo esportivo para o projeto.

 

Para os integrantes do time e seu treinador, Hugo Costa, de 59 anos, Oscar representava uma presença transformadora. O ex-atleta foi o catalisador que, há 19 anos, permitiu ao projeto social evoluir de uma estrutura improvisada para um ginásio próprio, consolidando sua trajetória. A notícia da morte do ídolo se misturou aos sentimentos da decisão contra a equipe que representava São Paulo.

 

A vitória histórica, com o placar de 74 a 63, garantiu ao Porãbask o pódio mais alto pela primeira vez. O triunfo encheu de emoção o treinador Hugo Costa, que criou a iniciativa.

 

Em 2004, Costa fundou o projeto social, inicialmente batizado de “Meninos do Terrão”, devido à quadra improvisada no Jardim Irene, bairro periférico da cidade.

 

Apoio Fundamental do Mão Santa

A relação com Oscar Schmidt se estreitou em 2007, quando o ex-jogador realizou palestras na cidade. Hugo Costa, que era um admirador do "Mão Santa", desenvolveu uma amizade com ele.

 

Oscar passou a oferecer incentivo contínuo para que a quadra de terra fosse substituída por uma instalação coberta e estruturada. Ele usava suas palestras para angariar fundos para o projeto.

 

Segundo o treinador, a ajuda de Oscar foi decisiva na aquisição do terreno e na construção do ginásio, que, em reconhecimento à sua contribuição, recebeu o nome do ídolo.

 

O treinador expressou seu lamento pela coincidência de conquistar o campeonato no mesmo dia do falecimento de seu principal incentivador. “Nós disputamos mais de 20 jogos escolares. Sempre chegamos perto. Foi a primeira vez que fomos campeões. Que seja uma homenagem a ele”.

 

Transformação Social pelo Esporte

Para Hugo Costa, Oscar deixou o legado da obstinação na busca por objetivos.

 

“Muita gente pensa que basquete não seria para pobre. Nem para periferia. O Oscar ensinou para a gente que é possível fazer basquete em qualquer lugar”.

 

Mais do que formar atletas, o projeto tem se dedicado a formar cidadãos, um objetivo amplamente alcançado. Diversos ex-participantes se tornaram profissionais em diferentes áreas, como educação física e medicina, e o treinador mantém contato com todos eles.

 

A presença do clube redefiniu a comunidade, transformando-a em um ponto de referência esportiva. Costa enfatiza que a missão do profissional de educação física é “educar a criança por meio do esporte para que seja responsável e disciplinada. O esporte pode ensinar isso”.

 

A Emoção da Conquista

Ao subir ao pódio, o técnico recordou os longos períodos de treino, o tempo distante da família e a importância de seu papel como educador. Ele afirmou aos jovens que “eles nunca mais vão esquecer esse momento. Vão passar aos filhos deles”.

 

Antes de pensar em ter filhos, o estudante Rafael Cardozo, de 17 anos, dedicou seus primeiros pensamentos no pódio à mãe, que o cria sozinha junto ao irmão mais novo. Assim que o apito final soou, ele conseguiu contatá-la para expressar sua gratidão. “Tenho que agradecê-la por tudo”, disse, abraçando também o professor.

 

Rafael está cursando o terceiro ano do ensino médio e planeja ingressar na faculdade de gestão hospitalar, mantendo o basquete como uma atividade de lazer. Ele aspira a “chegar lá no topo” e reconhece a necessidade de “trabalhar pra chegar lá”.

 

O falecimento de Oscar Schmidt o impactou profundamente, pois “sabemos como ele era importante para o Brasil e para o nosso projeto”.

 

Igualmente emocionado estava Samuel Menezes, pivô de 17 anos, que foi o cestinha da partida com 30 pontos. Ele também está no terceiro ano do ensino médio e pretende cursar educação física, com o desejo de “ficar no esporte”.

 

O Destaque do Cestinha

No pódio, Samuel relembrou os treinos diários e o esforço coletivo. Com a medalha no peito, ele abraçou cada um dos colegas. Em seguida, ligou para a mãe, dona de casa, e para o pai, ourives.

 

O jovem mencionou a notícia da morte do ídolo e sua prática de assistir a jogos antigos de Oscar pela internet. Com um sorriso, ele declarou: “Só temos a agradecer a ele. Hoje eu fui o Mão Santa do meu time”.

 

Após a vitória, a quadra, antes silenciosa, agora ressoava com sorrisos e celebração, marcando o fim do luto e o início da festa.

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