Durante uma visita oficial em Hannover, Brasil e Alemanha formalizaram um compromisso conjunto para ampliar a cooperação científica e tecnológica relacionada aos minerais críticos e estratégicos, considerados essenciais para o avanço das tecnologias de energia limpa e para o desenvolvimento de setores industriais emergentes.
O acordo foi firmado entre o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) do Brasil e o Ministério Federal da Pesquisa, Tecnologia e Espaço da Alemanha, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do chanceler federal alemão Friedrich Merz. A iniciativa estabelece diretrizes para intensificar atividades conjuntas de pesquisa, desenvolvimento e inovação abrangendo toda a cadeia de produção desses insumos, desde a exploração até o processamento.
Minerais classificados como críticos são fundamentais para a fabricação de baterias, painéis solares, turbinas e outras tecnologias ligadas à transição energética e à defesa, tendo oferta limitada ou concentrada em poucos países. O Brasil figura entre as principais nações detentoras de reservas dessas matérias-primas, cenário destacado por Lula em declaração após o encontro com Merz.
"Nossas reservas também nos tornam atores incontornáveis no debate sobre minerais críticos. Queremos atrair cadeias de processamento para o território brasileiro, sem fazer exportações excludentes. A colaboração em setores intensivos em tecnologia é uma prioridade para um país que não quer se limitar a ser um mero exportador de commodities", afirmou Lula.
O chefe de governo alemão também mencionou o acordo ao discursar à imprensa. Os dois países se comprometeram a ampliar ações de pesquisa, desenvolvimento e inovação relacionadas à exploração, extração e processamento de minerais críticos, incluindo terras raras e diversos metais e minerais estratégicos.
O compromisso firmado prevê incentivo especial à inovação por parte de pequenas e médias empresas dos dois países, desenvolvimento de projetos conjuntos de pesquisa e inovação dedicados à gestão responsável dos minerais críticos e programas de intercâmbio para cientistas e técnicos de pós-graduação. Está prevista a elaboração de um novo programa bilateral de financiamento direto às instituições e empresas nacionais dos dois países, com lançamento em 2026.
O acordo também reconhece o papel estratégico das atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação, consideradas essenciais para aumentar o valor agregado ao longo das cadeias produtivas de minerais críticos e estratégicos, contribuindo para o desenvolvimento industrial sustentável, a autonomia tecnológica e o fortalecimento das indústrias locais.
Além da cooperação em minerais estratégicos, foram assinados outros 14 acordos entre Brasil e Alemanha durante a viagem de Lula ao país europeu. Entre estes, destaca-se um termo de cooperação para fortalecer o combate a crimes ambientais, abrangendo desmatamento, tráfico de fauna e flora, pesca ilegal e mineração clandestina.
Outro acordo importante foi firmado na área de inteligência artificial, com foco no desenvolvimento de soluções para governo digital e aplicações industriais. Também foi assinada uma carta de intenções na qual a Alemanha propõe ampliar o aporte de recursos ao Fundo de Combate às Mudanças Climáticas, coordenado pelo governo brasileiro e operacionalizado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. O banco de desenvolvimento alemão KfW deverá destinar aproximadamente 500 milhões de euros ao fundo, com objetivo de financiar projetos e estudos que contribuam para a redução das emissões de gases de efeito estufa e adaptação às mudanças climáticas no Brasil.
Os dois governos ainda celebraram documentos de cooperação nos setores de defesa, pesquisa oceânica, apoio a micro e pequenas empresas, pesquisa aeroespacial, tecnologias quânticas e economia circular, entre outros.
Esta foi a segunda viagem oficial de Lula à Alemanha desde o início do atual mandato. O presidente foi recebido com honras militares em Hannover para o encontro com Merz. Atualmente, o Brasil está entre os poucos países que mantêm com a Alemanha um acordo de parceria estratégica, status mais alto de relação diplomática entre os dois países.
"Essa proximidade é mais importante do que nunca nesses tempos de tantas mudanças na ordem mundial. Queremos fortalecer o benefício comum e expandir nossa rede. Queremos ser parceiros fortes e com ideias afins", declarou o chanceler alemão à imprensa.
Além do encontro bilateral, Lula participou da abertura da Hannover Messe, considerada a maior feira industrial do mundo, que neste ano tem o Brasil como país destaque. O presidente também esteve em reunião com empresários brasileiros e alemães, ocasião em que ressaltou oportunidades ligadas ao setor de biocombustíveis.