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Brasil e Espanha firmam acordos em tecnologia digital e combate à desigualdade

Os países fecharam parcerias em big techs, setores de tecnologia, minerais, combate ao crime e desigualdade social.

17/04/2026 às 18:39
Por: Redação

Em Barcelona, nesta sexta-feira (17), Brasil e Espanha formalizaram uma série de acordos envolvendo grandes empresas de tecnologia, avanços digitais, exploração de minerais considerados estratégicos, além de iniciativas para reduzir desigualdades sociais, combater diferentes formas de discriminação e o crime organizado.

 

Esses documentos foram assinados durante a 1ª Cúpula Brasil-Espanha, que contou com a presença dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Pedro Sánchez. Os termos expressam alinhamento entre os dois países em questões internacionais e reafirmam compromissos relativos aos direitos das populações de ambas as nações.

 

No evento, também ocorreram reuniões específicas envolvendo autoridades brasileiras e espanholas, nas quais foram concluídas negociações referentes a diversas áreas. Entre os acordos estão a cooperação em tecnologias da informação e telecomunicações, elaboração de políticas públicas voltadas para pequenas e médias empresas, programas de intercâmbio cultural e sustentabilidade, regulamentação dos transportes aéreos e temas ligados à previdência social.

 

Na ocasião, Lula enfatizou que a Espanha é, há muitos anos, um dos principais investidores no Brasil. Entre os setores destacados pelo presidente brasileiro estão telecomunicações, finanças, energia e infraestrutura. Segundo ele, empresas espanholas participaram de 50 projetos por meio do Programa de Parcerias e Investimentos do governo brasileiro, totalizando mais de 10 bilhões de dólares em aportes.

 

O presidente Lula, que está em viagem por países da Europa, observou que Brasil e Espanha dividem preocupações parecidas acerca da necessidade de criar normas para regular a atuação das chamadas big techs, empresas de tecnologia com grande influência econômica, política e social no mundo.

 

Ele alertou para o risco de ausência de regulação nesse segmento:

 

“Sem regras, as big techs vão instituir a era do colonialismo digital”, afirmou Lula, acrescentando que essas companhias extraem e comercializam dados de pessoas, o que resulta na centralização de poder "nas mãos de um punhado de bilionários".

 

Diante desse cenário, Lula destacou que ambos os países investem em desenvolver capacidades próprias para garantir soberania digital. Ele ressaltou que os debates nessa área estão sendo conduzidos pelo Centro Nacional de Supercomputação de Barcelona e pelo Laboratório Nacional de Computação Científica do Brasil, e que essa aproximação permitirá o desenvolvimento conjunto de projetos em inteligência artificial e outros campos do conhecimento tecnológico.

 

Os acordos também incluem iniciativas de colaboração na cadeia produtiva de minerais considerados estratégicos para a economia, com o compromisso de gerar conhecimento e agregar valor aos produtos e processos relacionados.

 

“Assumimos o compromisso de cooperar em diferentes etapas da cadeia de minerais estratégicos, gerando conhecimento e agregando valor”, declarou Lula.

 

Parceria internacional e combate às desigualdades

 

O presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, afirmou que Brasil e Espanha exercem o papel de "países motores" na aproximação entre União Europeia, América Latina e Caribe, regiões que, segundo ele, compartilham valores semelhantes.

 

Pedro Sánchez avaliou ainda que, diante do atual contexto internacional, marcado por fragmentação, a relação entre Brasil e Espanha adquire relevância geopolítica. O interesse, segundo ele, é transmitir uma mensagem distinta no âmbito do Mercosul, baseada em cooperação, abertura, confiança mútua e prosperidade compartilhada.

 

“No âmbito do Mercosul, queremos transmitir uma mensagem totalmente diferente: de cooperação, de abertura, de confiança mútua e de prosperidade compartilhada.”

 

Sánchez destacou também o alinhamento entre os dois países em temas como promoção da paz, defesa do multilateralismo e estratégias para avançar no enfrentamento das desigualdades sociais. Entre os compromissos firmados estão ações para combater a violência de gênero, promover a igualdade racial e incentivar a economia solidária.

 

A colaboração entre as equipes brasileiras e espanholas inclui, ainda, a participação do Centro Nacional de Supercomputação de Barcelona e do Laboratório Nacional de Computação Científica do Brasil. O objetivo é impulsionar pesquisas em inteligência artificial e fortalecer a cooperação científica entre as nações.

 

Os tratados abrangem toda a cadeia de minerais estratégicos, com foco em desenvolvimento de conhecimento técnico e ampliação do valor agregado dos materiais extraídos, consolidando uma agenda conjunta de inovação e soberania digital.

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