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Cotação do dólar supera cinco reais e Ibovespa recua mais de 2% em meio a instabilidade internacional

Mercados sofrem impactos de tensões no Oriente Médio, decisão do Fed e corte dos juros no Brasil

30/04/2026 às 16:01
Por: Redação

No encerramento desta quarta-feira, 29, o dólar comercial foi negociado a 5,001 reais, apontando alta de 0,019 real, o que corresponde a uma variação positiva de 0,4%. A moeda norte-americana iniciou o dia sem grandes oscilações, permanecendo ao redor de 4,98 reais, mas apresentou elevação após a abertura dos mercados nos Estados Unidos. Por volta das 16h, a cotação atingiu a máxima diária de 5,01 reais.

 

Neste mesmo contexto, a bolsa de valores brasileira registrou queda significativa, fechando em retração de 2,05% e somando 184.750 pontos no índice Ibovespa, tratando-se do menor patamar observado desde 30 de março. Ao longo da sessão, o índice oscilou entre a mínima de 184.504 pontos e a máxima de 188.709 pontos, resultando em um intervalo superior a 4 mil pontos entre os extremos do dia.

 

No acumulado da semana, o Ibovespa contabiliza decréscimo de 3,14%, enquanto no mês o recuo é de 1,45%. Apesar dessas quedas recentes, no acumulado do ano, o índice ainda apresenta valorização de 14,66%. Desde que atingiu a máxima histórica em abril, o principal indicador da bolsa já perdeu cerca de 14 mil pontos, sendo que a retração verificada nesta quarta-feira foi a mais acentuada desde 20 de março.

 

Movimentações externas e contexto internacional

 

O desempenho dos mercados brasileiros ocorreu em meio a uma atmosfera global de cautela. O cenário internacional foi influenciado por uma série de fatores, entre eles as incertezas geradas pelas tensões no Oriente Médio e pela reunião do banco central dos Estados Unidos (Federal Reserve). O Federal Reserve decidiu manter a faixa dos juros americanos entre 3,50% e 3,75% ao ano, manifestando preocupação em relação à inflação e ao aumento das incertezas no panorama mundial.

 

A moeda norte-americana valorizou-se frente a outras moedas importantes do cenário global, movimento atribuído ao aumento das tensões geopolíticas e à decisão do Fed. Adicionalmente, a volatilidade no ambiente internacional foi intensificada pela escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã, especialmente após o avanço das discordâncias na região do Oriente Médio, o que elevou a percepção de risco entre investidores globais.

 

Petróleo em alta e preocupações com fornecimento

 

No mercado internacional de commodities, o petróleo apresentou forte elevação em seus preços. O barril do tipo WTI, referência norte-americana, encerrou o dia cotado a 106,88 dólares, representando aumento de 6,95%. Já o Brent, utilizado em negociações da Petrobras, foi negociado a 110,44 dólares ao final do pregão, com acréscimo de 5,78%.

 

Essa valorização reflete as incertezas sobre o fornecimento mundial da matéria-prima, especialmente diante da possibilidade de interrupções na passagem pelo Estreito de Ormuz, considerado uma das principais rotas de transporte de petróleo no planeta.

 

Expectativa doméstica e decisão sobre juros

 

No cenário interno, os investidores brasileiros também acompanhavam a expectativa em torno da definição dos juros básicos pelo Comitê de Política Monetária (Copom). A decisão de corte em 0,25 ponto percentual, reduzindo a taxa para 14,5% ao ano, foi anunciada somente após o encerramento das negociações do dia.

 

O ambiente de negociação desta quarta-feira refletiu, assim, a confluência entre fatores externos, como a manutenção dos juros norte-americanos, o agravamento de conflitos geopolíticos e a alta dos preços do petróleo acima de 100 dólares por barril, e elementos internos, como a expectativa pela decisão do Copom sobre a taxa básica de juros.

 

*com informações de agências internacionais

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