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Desemprego atinge 6,1% no início do ano e registra menor índice histórico

Novo levantamento aponta crescimento da ocupação formal e queda na informalidade, com recuo de 13% no total de desocupados em um ano.

30/04/2026 às 23:36
Por: Redação

No primeiro trimestre deste ano, o índice de desemprego no país alcançou 6,1%, sendo o menor percentual já registrado para este período desde o início da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, que teve início em 2012. Esse resultado é superior ao verificado nos últimos três meses do ano anterior, quando a taxa ficou em 5,1%, porém representa uma queda em relação ao mesmo trimestre do ano passado, que havia registrado 7%.

 

Os dados referentes ao desemprego foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, que ressaltou que desde o trimestre encerrado em maio do ano passado a taxa não ficava acima de 6%. Já no trimestre móvel terminado em fevereiro deste ano, o desemprego estava em 5,8%. O órgão pontua, no entanto, que comparações entre meses consecutivos não são recomendadas por haver sobreposição de informações nas amostras utilizadas para o levantamento, já que números do mês de fevereiro, por exemplo, aparecem tanto na divulgação de fevereiro quanto na de março. Por esse motivo, o IBGE recomenda comparações com o quarto trimestre do ano passado para melhor análise das variações.

 

Ao final do primeiro trimestre de 2026, o total de pessoas consideradas desocupadas no país, ou seja, aquelas que buscaram emprego nos 30 dias anteriores à coleta da pesquisa, somava 6,6 milhões de brasileiros. Esse contingente é 19,6% maior — o que equivale a um acréscimo de 1,1 milhão de pessoas — na comparação com o final do ano passado. No entanto, em relação ao primeiro trimestre de 2025, houve redução de 13% nesse grupo.

 

O número total de ocupados chegou a 102 milhões de pessoas nos três primeiros meses deste ano. Em relação ao trimestre imediatamente anterior, houve redução de 1 milhão de trabalhadores, enquanto na comparação com o mesmo período do ano passado, o saldo foi positivo, com aumento de 1,5 milhão de pessoas ocupadas.

 

Aspectos sazonais do emprego

 

O comportamento do mercado de trabalho entre janeiro e março esteve relacionado a fatores sazonais, como explica a coordenadora de pesquisas domiciliares do IBGE, Adriana Beringuy. Segundo ela, algumas atividades econômicas tradicionalmente apresentam redução no quadro de trabalhadores nesse período do ano devido ao recuo típico do comércio e à finalização de contratos temporários nas áreas de educação e saúde das administrações municipais.

 

A redução do contingente de trabalhadores ocorreu em atividades que, tipicamente, apresentam esse comportamento; seja devido à tendência de recuo no comércio nesse período do ano; seja pela dinâmica de encerramento de contratos temporário nas atividades de educação e saúde no setor público municipal.

 

Na análise dos dez agrupamentos de atividades econômicas avaliados pelo IBGE, nenhuma apresentou crescimento no número de pessoas empregadas no trimestre. Quedas foram observadas nos seguintes segmentos: comércio, com redução de 1,5% (menos 287 mil pessoas ocupadas); administração pública, com recuo de 2,3% (menos 439 mil trabalhadores); e serviços domésticos, que tiveram queda de 2,6% (menos 148 mil pessoas ocupadas).

 

Informalidade no mercado de trabalho

 

Embora o desemprego tenha aumentado em relação ao final do ano passado, foi registrada diminuição na taxa de informalidade no mercado de trabalho brasileiro. No trimestre concluído em março, 37,3% da população ocupada estava em situação informal, o que representa 38,1 milhões de pessoas que trabalham sem direitos trabalhistas garantidos. No final de 2025, a informalidade era de 37,6%, enquanto no primeiro trimestre daquele ano atingia 38%.

 

O número de empregados com carteira assinada no setor privado manteve estabilidade no trimestre, somando 39,2 milhões, mas, em relação ao mesmo período do ano anterior, houve aumento de 1,3%, ou seja, 504 mil pessoas a mais com registro formal de trabalho.

 

Já entre os trabalhadores do setor privado sem carteira assinada, houve redução de 2,1% no trimestre, o que corresponde a menos 285 mil pessoas, totalizando 13,3 milhões de informais. Na comparação anual, esse contingente apresenta estabilidade, sem variações estatísticas relevantes.

 

Os trabalhadores por conta própria totalizaram 26 milhões no primeiro trimestre, número que se manteve estável na comparação trimestral. Já em relação ao mesmo período do ano anterior, houve crescimento de 2,4%, o que significa 607 mil pessoas a mais atuando nessa condição.

 

Metodologia da pesquisa

 

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, conduzida pelo IBGE, acompanha o comportamento do mercado de trabalho da população com 14 anos ou mais. São consideradas todas as formas de ocupação, incluindo emprego formal, informal, temporário e trabalho por conta própria. Pelos critérios do instituto, é classificada como desocupada a pessoa que efetivamente procurou uma vaga de trabalho nos 30 dias anteriores à pesquisa. O levantamento abrange visitas a 211 mil domicílios em todos os estados da federação e no Distrito Federal.

 

O IBGE divulga os resultados da pesquisa um dia depois da publicação do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, elaborado pelo Ministério do Trabalho e Emprego. O Caged considera apenas os empregos formais, ou seja, com carteira assinada. Segundo dados do Caged, o mês de março registrou saldo positivo de 228 mil novos postos com registro formal, e o acumulado dos últimos 12 meses soma 1,2 milhão de vagas criadas sob esse regime.

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