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Mineradora brasileira de terras raras é adquirida por grupo dos EUA por 2,8 bilhões de dólares

Transação prevê fornecimento por 15 anos e formação de grupo líder mundial em terras raras

21/04/2026 às 13:55
Por: Redação

A mineradora norte-americana USA Rare Earth (USAR) oficializou a compra da empresa brasileira Serra Verde, responsável pela extração de terras raras, em uma transação avaliada em aproximadamente 2,8 bilhões de dólares. O anúncio foi feito nesta segunda-feira, dia 20, pelas duas companhias envolvidas na operação.

 

Atuando desde 2024, a Serra Verde mantém as atividades da mina de Pela Ema, localizada em Minaçu, no estado de Goiás. Essa unidade é reconhecida como a única mina de argilas iônicas em funcionamento no país e se destaca por ser a única produtora de quatro tipos críticos e valorizados de terras raras pesadas fora do continente asiático: disprósio, térbio e ítrio.

 

A extração desses materiais, utilizados intensivamente na fabricação de ímãs permanentes, abastece setores como o de veículos elétricos, turbinas eólicas, robótica, drones, aparelhos de ar-condicionado com alta eficiência, além de segmentos de semicondutores, defesa, energia nuclear e aeroespacial. Atualmente, mais de 90% da produção global de terras raras se concentra na China.

 

Segundo informações fornecidas pela Serra Verde, a negociação abre caminho para o surgimento da maior empresa mundial desse setor. No momento, a produção na unidade de Goiás está em sua primeira etapa e ainda apresenta volume considerado modesto, porém a projeção da mineradora é dobrar a capacidade até o ano de 2030.

 

“As operações de mineração e processamento da Serra Verde terão um papel central no estabelecimento da primeira cadeia de suprimentos de terras raras da mina ao ímã fora da Ásia, quando combinadas com as capacidades de mineração e 'downstream' da USAR”, informou o grupo Serra Verde, em declaração ao mercado.


 

Acordo garante fornecimento exclusivo por 15 anos

 

Pelo contrato firmado, ficou estabelecido o fornecimento da produção da Fase I por um período de 15 anos para uma Empresa de Propósito Específico (SPV), que conta com recursos provenientes de várias agências do governo norte-americano e de investidores privados. O acordo estipula a aquisição de 100% desse volume, com preços mínimos garantidos para as terras raras magnéticas extraídas.

 

Em nota, a USAR destacou que o contrato assegura à Serra Verde fluxos de caixa previsíveis e protegidos, contribuindo para a redução de riscos, incentivo a investimentos e avanço do desenvolvimento da mineradora.

 

O comunicado divulgado pelas empresas afirma que a união permitirá a formação de uma multinacional líder na mineração de terras raras, abrangendo oito operações distribuídas entre Brasil, Estados Unidos, França e Reino Unido. O grupo resultante terá atuação em toda a cadeia de suprimentos, envolvendo as etapas de mineração, processamento, separação, metalização e fabricação de ímãs, tanto para terras raras leves quanto pesadas.

 

“Esses marcos são um ponto positivo significativo para o Brasil e demonstram a capacidade do país de desempenhar um papel de liderança no desenvolvimento das cadeias globais de suprimentos de terras raras. As garantias de fornecimento, assim como a combinação com a USAR, validam a qualidade da Serra Verde: nossa operação única, nossos colaboradores e seu compromisso com práticas responsáveis”, disse Ricardo Grossi, presidente da Serra Verde Pesquisa e Mineração e COO do Grupo Serra Verde.


 

Após o anúncio da aquisição, o mercado reagiu positivamente e, por volta das 15h30 do mesmo dia, as ações da USAR apresentaram valorização superior a 8% na bolsa de valores Nasdaq. A estrutura da equipe da mineradora brasileira será mantida, com dois de seus executivos passando a integrar o conselho diretor da USAR: Sir Mick Davis, como Presidente do Conselho, e Thras Moraitis, como CEO do Grupo Serra Verde.

 

O tema das terras raras tem sido recorrente em pronunciamentos de Donald Trump, que demonstra preocupação com a dependência mundial em relação à produção chinesa desses insumos, situação que tem provocado divergências entre Washington e Pequim.

 

Informação sobre atualização de título às 18h21

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