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Governo proíbe apostas não financeiras em plataformas de previsões

Resolução do CMN veda negociações sobre esportes, política e entretenimento a partir de maio

24/04/2026 às 19:21
Por: Redação

O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou uma nova resolução que determina, a partir do início de maio, a proibição de apostas relacionadas a temas como esportes, política e entretenimento em plataformas de mercado de previsões no Brasil. Essa decisão foi tomada para eliminar uma lacuna regulatória e estabelecer critérios mais definidos para a atuação dessas plataformas.

 

Com as novas normas, apenas contratos que tratam de questões econômicas e financeiras permanecem liberados, como aqueles ligados à inflação, à variação de juros ou ao preço de commodities — produtos primários cotados internacionalmente.

 

Entenda o funcionamento do mercado preditivo

 

No mercado preditivo, os participantes adquirem ou negociam contratos baseados em perguntas objetivas sobre eventos futuros, respondendo a questões do tipo "vai acontecer ou não?". O resultado desses contratos determina o ganho ou a perda financeira dos envolvidos.

 

Há diferenças marcantes entre as apostas tradicionais, conhecidas como bets, e os mercados preditivos. Nas bets, a própria empresa organizadora é responsável por estipular as regras e efetuar o pagamento dos prêmios. Já nos mercados de previsões, a própria negociação ocorre entre os usuários, e os contratos são classificados como derivativos, que dependem do valor futuro de determinado ativo ou evento.

 

Regras detalhadas sobre a proibição

 

De acordo com a Resolução do CMN 5.298, contratos vinculados a eventos que envolvam:

 

  • Resultados de jogos esportivos
  • Eleições e assuntos políticos
  • Reality shows e conteúdos de entretenimento
  • Eventos sociais ou culturais

 

estão vedados em território nacional, incluindo as plataformas estrangeiras que ofertam esses produtos para apostadores brasileiros. Assim, boa parte das atividades que atraíam usuários para essas plataformas passa a ser proibida.

 

Mercado permitido e supervisão

 

Continuam permitidos contratos que tenham como objeto variáveis econômicas. Entre eles, permanecem legais negociações envolvendo:

 

  • Taxa de juros
  • Índice de inflação
  • Moeda estrangeira (câmbio)
  • Preços do petróleo ou de outras commodities

 

A fiscalização e a regulamentação dessas operações seguem sob responsabilidade da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), órgão encarregado de supervisionar o mercado financeiro brasileiro.

 

Motivos para a decisão do governo

 

O governo federal reconheceu que as apostas relacionadas a eventos de natureza não financeira acabam se assemelhando a jogos de azar, e não a investimentos tradicionais. Por isso, determinou que esse tipo de aposta só pode ocorrer por meio de bets devidamente licenciadas pelo Ministério da Fazenda, e que estejam sujeitas ao pagamento de taxas e a regras de proteção ao apostador.

 

Essas exigências não eram cumpridas pelas plataformas de mercado preditivo, que passaram a ser vistas como concorrência desleal em relação às bets regulamentadas.

 

Impactos para o setor de previsões

 

A nova regulamentação reduz drasticamente o espaço de atuação das empresas dedicadas ao mercado preditivo no Brasil, incluindo aquelas internacionais que ofertavam apostas em eleições e grandes acontecimentos mundiais.

 

Entre os objetivos da medida estão evitar que investidores sejam expostos a riscos elevados, conter a especulação excessiva e organizar um segmento que vinha crescendo sem parâmetros claros de funcionamento.

 

Caberá à CVM implementar regulamentos complementares e fiscalizar o cumprimento das determinações estabelecidas pelo CMN.

 

Quando as medidas entram em vigor

 

As novas regras passam a valer a partir do dia 4 de maio, enquadrando-se em um conjunto mais amplo de iniciativas do governo federal para disciplinar o setor de apostas e os produtos financeiros no país.

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