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Conferência internacional destaca vínculo entre transição energética e segurança global

Evento na Colômbia reúne mais de 60 países para discutir redução da dependência de petróleo

24/04/2026 às 19:22
Por: Redação

A cidade de Santa Marta, na Colômbia, sedia, a partir desta sexta-feira, a 1ª Conferência Internacional sobre Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis, reunindo representantes de mais de 60 nações que buscam estratégias para diminuir não apenas a produção, mas também o consumo e a dependência global de petróleo.

 

Este evento ocorre em um contexto de instabilidade internacional, especialmente após a guerra envolvendo o Irã, Estados Unidos e Israel, o que evidenciou os riscos econômicos, energéticos e de segurança decorrentes da dependência mundial dos combustíveis fósseis. O debate no encontro servirá como base para a elaboração do Mapa do Caminho para Longe dos Combustíveis Fósseis, proposta da presidência brasileira para a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30).

 

A diretora-executiva da COP30, Ana Toni, explicou, em entrevista, que a guerra no Irã e a volatilidade dos preços internacionais do petróleo reforçaram a necessidade de acelerar a transição energética, não apenas por fatores climáticos, mas também por questões estratégicas diversas. Segundo ela, o documento proposto, que deve ser concluído até novembro, trará orientações para países sobre a redução das emissões de gases de efeito estufa e a diminuição da dependência de fontes fósseis.

 

Escuta ativa e participação ampliada

A delegação brasileira que lidera a presidência da COP30 participa da conferência com o objetivo maior de ouvir contribuições de outros países, da sociedade civil e de grupos indígenas. Ana Toni afirmou que eventos como o de Santa Marta são oportunidades importantes para coletar demandas e visões regionais, o que será fundamental para ajustar o conteúdo do Mapa do Caminho.

 

A diretora-executiva ressaltou a importância da plataforma de debates criada, que já incorpora demandas identificadas na própria COP30 e que agora se amplia com as discussões previstas na Colômbia. Segundo ela, ouvir as experiências e expectativas internacionais é essencial para que o documento reflita uma multiplicidade de visões e estratégias de implementação.

 

De acordo com Ana Toni, há satisfação em ver o envolvimento de países como Colômbia e Países Baixos na realização do evento, permitindo a troca de experiências e a busca pelo alinhamento de estratégias regionais e globais.

 

Implementação prática do compromisso firmado

Durante a entrevista, Ana Toni pontuou que a decisão por abandonar progressivamente os combustíveis fósseis foi consolidada na última COP28, realizada em Dubai. Agora, o desafio é planejar a implementação desse compromisso, definindo etapas, sequências de ações e diferentes caminhos para cada realidade nacional.

 

Ela destacou que ouvir setores da sociedade civil, representantes de povos indígenas e governos é essencial para identificar as melhores formas de avançar. Segundo a dirigente, a implementação não exige consenso total, diferentemente do processo de decisão, permitindo que diferentes países adaptem as ações conforme suas especificidades, seja apostando na eletrificação, seja no desenvolvimento de combustíveis sustentáveis.

 

O objetivo dos debates, segundo Ana Toni, é justamente apresentar múltiplas alternativas para que o compromisso global seja efetivamente implementado a partir da realidade de cada região.

 

Participação global e amadurecimento do processo

Com a presença de mais de 60 países na conferência de Santa Marta, Ana Toni destacou que três a cada quatro pessoas no mundo vivem em países importadores de combustíveis fósseis, tornando a discussão sobre a redução dessa dependência relevante tanto para países produtores quanto para consumidores.

 

Ela citou o exemplo da Etiópia, que deixou de importar veículos movidos a combustão, como um movimento significativo no cenário mundial. Ana Toni lembra que o Mapa do Caminho recebeu mais de 250 contribuições formais de países e outras entidades, o que demonstra o interesse global em debater estratégias para reduzir a dependência dos combustíveis fósseis.

 

O evento em Santa Marta faz parte de um processo de amadurecimento das alternativas concretas a serem implementadas, considerando que a decisão pela transição já foi tomada em nível internacional.

 

Desafios para estruturar o Mapa do Caminho

O prazo para envio de propostas ao Mapa do Caminho foi encerrado em 10 de abril. Segundo Ana Toni, o grande desafio agora é organizar e priorizar uma grande quantidade de informações e sugestões, considerando que cada país possui circunstâncias econômicas e energéticas distintas.

 

Infelizmente, a guerra contra o Irã, promovida pelos Estados Unidos e Israel, mostra que caminhar para longe dos combustíveis fósseis, dessa dependência que temos, é absolutamente necessário. Não só por questões climáticas, mas por questões econômicas, energéticas e de segurança.

 

A dirigente ressaltou que o Mapa do Caminho tornou-se uma referência para revisitar temas de segurança energética, econômica e a interdependência mundial dos combustíveis fósseis. Ela enfatizou que a eliminação dessa dependência será gradual, exigindo planejamento para evitar impactos globais como os vivenciados recentemente.

 

Estrutura e enfoques do documento orientador

Ana Toni detalhou que o Mapa do Caminho já possui uma proposta de estruturação, mas que ajustes poderão ser feitos com base nas contribuições recebidas. A previsão é que o texto seja dividido em capítulos, sendo o primeiro dedicado à análise dos riscos decorrentes da não transição, abordando aspectos climáticos, naturais, políticos e de segurança.

 

O segundo capítulo irá focar nas perspectivas dos produtores de combustíveis fósseis, incluindo países e empresas, além de analisar a posição dos consumidores, abrangendo setores como energia elétrica, transporte e indústria. O objetivo é identificar oportunidades para acelerar a transição conforme as possibilidades de cada segmento.

 

Um terceiro segmento do documento abordará a dependência econômica dos países em relação aos combustíveis fósseis, destacando que diferentes nações e governos subnacionais, como prefeituras, enfrentam problemas distintos, não se limitando apenas à questão energética.

 

O último capítulo será dedicado às recomendações para o cenário mundial e também para as próximas edições da conferência, como a COP31.

 

Perspectivas para uma transição justa e planejada

Segundo Ana Toni, a transição energética já está em andamento em diversas partes do mundo. Ela explicou que atualmente existem movimentos simultâneos de avanço das fontes renováveis, armazenamento e eficiência, enquanto ainda há impulso nos combustíveis fósseis. O desafio, segundo ela, é desacelerar o uso de fontes fósseis e acelerar a adoção de alternativas.

 

A diretora-executiva afirmou ainda que uma transição energética justa é imprescindível para que os objetivos globais sejam alcançados. Ela acredita que a continuidade dos debates é fundamental para aprimorar as estratégias até o próximo Balanço Global, quando novas decisões serão tomadas a partir do que demonstrar maior eficiência.

 

Para Ana Toni, manter o tema em discussão no âmbito político internacional é essencial para garantir que as escolhas corretas sejam feitas em prol da segurança, da economia e do clima.

 

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