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Interesse de mulheres em esportes cresce, com destaque para skate e futebol

Levantamento aponta avanço do skate entre mulheres e aumento da visibilidade do futebol feminino

24/04/2026 às 21:21
Por: Redação

O cenário esportivo feminino brasileiro tem demonstrado crescimento expressivo nos últimos anos, com aumento significativo na participação e no interesse das mulheres em diversas modalidades. O judô, por exemplo, foi impulsionado por conquistas como as de Sarah Menezes, Rafaela Silva e Beatriz Souza, que se tornaram exemplos ao conquistarem medalhas de ouro em Jogos Olímpicos. A trajetória histórica teve início em 2008, quando Ketleyn Quadros alcançou o bronze em Pequim e se tornou a primeira judoca brasileira a subir ao pódio olímpico. Esse feito serviu de inspiração para Larissa Pimenta, que conseguiu repetir tal conquista duas vezes, obtendo medalhas em Tóquio, em 2021, e em Paris, em 2024.

 

Larissa destacou a importância dessas referências para novas gerações de atletas e para o envolvimento crescente de mulheres com o esporte no país.

 

“O Brasil é um país que está começando a ter muitas referências de mulheres no esporte. O que elas constroem motiva mais mulheres a virem, a quererem lutar e, consequentemente, termos mais mulheres [envolvidas com esporte] no geral”, afirmou Larissa.

 

Levantamento realizado pelo Instituto Ibope Repucom apontou que, entre 2020 e 2025, o interesse feminino em esportes aumentou 25% no Brasil, percentual acima da média nacional, que ficou em 19%. Entre todas as modalidades analisadas, o skate foi o esporte que mais se destacou nesse período, registrando evolução de 49% no engajamento entre mulheres. O crescimento do skate foi impulsionado por conquistas olímpicas, como a medalha de prata em Tóquio e o bronze em Paris, além dos quatro títulos do circuito mundial alcançados por Rayssa Leal.

 

De acordo com Danilo Amancio, coordenador do Ibope Repucom, a modalidade ganhou ainda mais projeção a partir do momento em que passou a integrar o programa olímpico nos Jogos de Tóquio, em razão do alto desempenho e das medalhas brasileiras.

 

“Ela [Rayssa] é uma referência aspiracional do esporte, mas o skate também tem um forte componente de estilo de vida. A partir do momento no qual o skate vira uma modalidade olímpica, nos Jogos de Tóquio, com alto desempenho e medalhas para o Brasil, ele ganha um novo patamar”, analisou o coordenador do Ibope Repucom, Danilo Amancio.

 

Modalidades com maior adesão feminina

 

Apesar de não liderar o ranking, o futebol tem apresentado aumento relevante na preferência do público feminino. Segundo o estudo, 64% das mulheres brasileiras se declararam fãs da modalidade. O futebol aparece junto à natação e ao vôlei de praia na terceira posição entre os esportes de maior apelo feminino. A liderança ficou com a ginástica artística, com 72%, seguida pelo vôlei de quadra, que registrou 69% de preferência.

 

O crescimento anual do interesse feminino foi de aproximadamente 5%, impulsionado principalmente pela maior visibilidade de competições femininas, especialmente aquelas transmitidas em televisão aberta, e pela expansão das alternativas digitais, que facilitaram o contato com atletas emergentes.

 

“As mulheres apresentaram um crescimento na ordem de 5% ao ano. Alguns fatores são importantes, como a maior visibilidade dos produtos e torneios femininos, especialmente em TV aberta. E o mundo digital trouxe novas alternativas para um melhor e mais fácil relacionamento com novos nomes, novas atletas”, avaliou Danilo.

 

Durante evento em que o Sesi São Paulo recebeu o selo de Clube Formador da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), em reconhecimento ao trabalho no futebol de base feminino, atletas do time sub-15 relataram suas fontes de inspiração. As referências das jogadoras atuais extrapolam nomes já tradicionais, como Formiga, Cristiane e Marta, e abrangem também atletas da nova geração. A volante Marília, por exemplo, revelou admiração por Angelina, jogadora do Orlando Pride, nos Estados Unidos, e capitã da seleção brasileira, que atua na mesma posição. Já Maria Teresa, conhecida como Teca, declarou que se inspira em Lorena, goleira do Kansas City Current, outra equipe da liga norte-americana, mas apontou como maior influência a ex-goleira dos Estados Unidos, Hope Solo, já aposentada.

 

“A [jogadora] que mais me inspira é a [ex-goleira norte-americana] Hope Solo. Era fora de série e acho que tinha um jeito de jogar parecido com o meu, o que é intrigante”, comentou Teca.

 

O Campeonato Brasileiro Feminino de futebol conta com transmissão ao vivo pela TV Brasil. No Fifa Series, torneio amistoso organizado pela Federação Internacional de Futebol (Fifa) e realizado em Cuiabá, a seleção brasileira conquistou o título após vitórias sobre Coreia do Sul, Zâmbia e Canadá. Na ocasião, 11 jogadoras da equipe atuavam na competição nacional.

 

Futebol feminino em evidência com Copa no Brasil

 

O estudo também identificou aumento do interesse feminino pela Copa do Mundo masculina, que atingiu 71% em 2026, contra 59% em 2014, ano em que o evento foi realizado no Brasil. Em 2027, o país receberá pela primeira vez a edição da Copa Feminina. Segundo a pesquisa, 65% dos brasileiros — entre homens e mulheres — declararam ser fãs desta competição. Danilo Amancio, do Ibope Repucom, estima que, até 2027, esses índices podem superar os registrados em 2014, quando o percentual de interesse pela Copa do Mundo em território nacional foi de 67%.

 

“O Brasil ser o país-sede vai gerar maior interesse natural e pela ampla cobertura que teremos no dia a dia. O fator Copa 2026 e, logo na sequência, uma Copa do Mundo Feminina aqui, por todos os fatores de contato imediato, tendem a ser motores essenciais para acelerar o crescimento do interesse feminino, e geral, pelo futebol feminino”, concluiu o coordenador.

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