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Lula critica ameaça de veto dos EUA à presença da África do Sul no G20

Presidente afirma que governo norte-americano não pode impedir presença de membro fundador no grupo das maiores economias do mundo

20/04/2026 às 18:41
Por: Redação

Durante sua passagem por Hanôver, na Alemanha, nesta segunda-feira (20), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se manifestou contra a possibilidade de exclusão da África do Sul do G20, sugerida pelo governo dos Estados Unidos. O G20 reúne as maiores economias do mundo e a União Europeia.

 

O presidente norte-americano Donald Trump declarou que não pretendia convidar Cyril Ramaphosa, presidente sul-africano, para a próxima cúpula do G20, prevista para novembro nos Estados Unidos, país que preside o fórum neste ano. Desde o ano anterior, Trump tem feito acusações sem fundamento sobre o governo sul-africano, referindo-se a uma lei de reforma agrária aprovada no país, e chegou a decretar o encerramento do apoio financeiro norte-americano à África do Sul.

 

Lula relatou ter conversado recentemente com Ramaphosa, enfatizando que considera inaceitável a tentativa dos Estados Unidos de impedir a presença de um dos membros fundadores do G20. O presidente brasileiro afirmou, ao relatar seu diálogo com o chefe de Estado sul-africano:

 

"Eu disse ao Ramaphosa [presidente da África do Sul], esta semana, que os Estados Unidos não têm o direito de proibir um membro fundador do G20 de participar do bloco. Eu disse ao Ramaphosa que ele deve comparecer ao G20. Ele não pode deixar de ir porque o Trump disse para ele não ir. Vamos lá ver o que vai acontecer, se vão deixar ele entrar ou não."


 

Durante a entrevista concedida após reunião com o chanceler alemão Friedrich Merz, Lula declarou que, se estivesse no lugar de Ramaphosa, compareceria ao encontro do G20 não como convidado, mas exercendo seu direito de membro fundador. O presidente brasileiro está em viagem oficial à Europa, já tendo passado pela Espanha, com paradas programadas também na Alemanha e em Portugal antes do retorno a Brasília.

 

Lula também rebateu as alegações feitas por Trump sobre a existência de um "genocídio branco" na África do Sul, classificando-as como falsas. Ele defendeu que Trump não possui legitimidade nem autoridade para barrar a participação de qualquer país no fórum internacional, medida que, segundo ele, enfraqueceria o grupo.

 

"Se vai tirar a África do Sul hoje, daqui a pouco vão tirar a Alemanha, depois vão tirar o Brasil. Se a gente não se juntar, dar as mãos, eles vão tirando um por um. Aqui não é o Conselho da Paz [criado e controlado por Donald Trump, presidente dos EUA]."


 

Lula recordou ainda que o G20 nasceu como um fórum multilateral e que esteve presente em sua criação, durante a crise econômica mundial de 2008, originada nos Estados Unidos. Ele destacou que os vinte países fundadores são titulares do direito de participar plenamente das discussões e decisões do grupo, cuja finalidade é encontrar soluções para desafios econômicos globais.

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