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Lula promete reciprocidade após delegado brasileiro ser expulso dos EUA

Presidente reage à decisão dos EUA de pedir saída de policial brasileiro ligado à prisão de Ramagem

21/04/2026 às 16:52
Por: Redação

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou nesta terça-feira (21), durante agenda oficial na Alemanha, que adotará medidas de reciprocidade em resposta à decisão do governo dos Estados Unidos de solicitar a retirada de um delegado da Polícia Federal do território americano. O policial, segundo informações, esteve envolvido na prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem.

 

Lula afirmou que tomou conhecimento da situação apenas na manhã do mesmo dia e destacou que, caso tenha sido constatado abuso por parte das autoridades americanas contra o policial brasileiro, o governo brasileiro irá agir de maneira equivalente em relação a agentes estadunidenses presentes no país.

 

“Não sei o que aconteceu. Fui informado hoje de manhã. Acho que, se houve um abuso americano com relação ao nosso policial, nós vamos fazer a reciprocidade com o deles no Brasil. Não tem conversa”, disse Lula.


 

O presidente reforçou ainda que o Brasil busca que os trâmites ocorram da maneira mais correta possível, mas ressaltou que não aceitará ingerência ou atitudes de abuso de autoridade por parte de determinados representantes dos Estados Unidos contra o país.

 

O Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental dos Estados Unidos comunicou, na segunda-feira (20), que determinou a saída de um funcionário brasileiro do país. O nome não foi revelado, mas o comunicado faz referência a um delegado da Polícia Federal que teria ligação direta com a detenção do ex-deputado Alexandre Ramagem.

 

A nota oficial, publicada na rede social X, aponta que o servidor brasileiro teria tentado burlar procedimentos formais de cooperação jurídica entre os dois países.

 

“Nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território dos Estados Unidos. Hoje, pedimos que o funcionário brasileiro envolvido deixe o nosso país por tentar fazer isso.”


 

Alexandre Ramagem, que foi diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e exerceu mandato de deputado federal, foi preso na Flórida, Estados Unidos, permanecendo detido por dois dias antes de ser liberado na última quarta-feira (15).

 

No ano anterior, o Supremo Tribunal Federal (STF) condenou Ramagem a uma pena de 16 anos de prisão, em ação penal relacionada a uma tentativa de golpe de Estado. Após a decisão judicial, ele perdeu o mandato parlamentar, deixou o Brasil para evitar o cumprimento da sentença e passou a morar nos Estados Unidos.

 

Em dezembro de 2025, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinou o envio formal do pedido de extradição de Ramagem às autoridades americanas, processo realizado por meio do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

 

Segundo a Polícia Federal, a prisão do ex-deputado em Orlando decorreu de uma cooperação internacional entre autoridades policiais do Brasil e dos Estados Unidos. A corporação informou que Ramagem é considerado foragido da Justiça brasileira após ser condenado pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

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