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Dourados entra em calamidade por chikungunya e inicia vacinação na segunda

Cidade ultrapassa 6 mil casos prováveis de chikungunya e confirma oito mortes; restrições para vacinação são detalhadas

22/04/2026 às 16:31
Por: Redação

A prefeitura do município de Dourados, em Mato Grosso do Sul, decretou estado de calamidade pública em razão do aumento expressivo de casos de chikungunya. Inicialmente restritos à Reserva Indígena de Dourados, os registros da doença já se estendem por vários bairros da cidade.

 

Em 20 de março, a administração municipal publicou um decreto reconhecendo a situação de emergência em saúde pública. Uma semana depois, novo decreto ampliou a emergência para defesa civil nas áreas atingidas pela doença.

 

A emissão do terceiro decreto, que estabelece o estado de calamidade pública por 90 dias, seguiu as diretrizes do Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública, responsável por coordenar as ações de combate à epidemia tanto nas áreas indígenas quanto na zona urbana do município.

 

Segundo nota oficial da prefeitura, a situação epidemiológica em Dourados é classificada como crítica, com mais de 6.186 casos prováveis de chikungunya e uma taxa de positividade de 64,9% para a infecção.

 

O Departamento de Gestão do Complexo Regulador do município apontou que a capacidade instalada dos serviços de saúde foi ultrapassada, com ocupação de leitos de internação em aproximadamente 110%. Conforme o comunicado, esse cenário impossibilita a resposta adequada, inclusive em situações de maior gravidade.

 

Campanha de imunização será iniciada

A campanha municipal de vacinação contra a chikungunya tem início previsto para a próxima segunda-feira, 27 de maio. O primeiro carregamento com as vacinas chegou a Dourados na noite de sexta-feira, 17 de maio.

 

Nos dias 22 e 23 de maio, a prefeitura promoverá treinamentos para profissionais de enfermagem, com o objetivo de orientar a população sobre possíveis restrições à vacina e identificar comorbidades antes da aplicação das doses.

 

De acordo com as normas estabelecidas pelo Ministério da Saúde, poderão ser vacinadas apenas pessoas com idade superior a 18 anos e inferior a 60 anos. A meta é imunizar pelo menos 27% desse público-alvo, o que representa aproximadamente 43 mil moradores.

 

A vacina não será administrada nos seguintes casos:

 

  • Gestantes ou lactantes.
  • Pessoas em tratamento com medicamentos imunossupressores, como corticoides em doses elevadas.
  • Indivíduos com imunodeficiências congênitas.
  • Pessoas em tratamento oncológico com quimioterapia ou radioterapia, transplantados de órgão sólido.
  • Transplantados de medula óssea há menos de dois anos.
  • Pessoas portadoras de HIV/aids.
  • Indivíduos com doenças autoimunes, como lúpus e artrite reumatoide.
  • Pessoas que apresentem ao menos duas condições médicas crônicas, incluindo diabetes, hipertensão, insuficiência cardíaca, arritmia cardíaca, doença pulmonar crônica, doença renal crônica, obesidade, doença hepática crônica e câncer, seja em tratamento ou remissão.

 

Além dessas restrições, não poderão receber a dose pessoas que tenham apresentado quadro de chikungunya nos últimos 30 dias, estejam com febre alta, tenham recebido vacina de vírus atenuado nos 28 dias antecedentes ou de vírus inativado nos 14 dias anteriores à data programada de vacinação.

 

O município prevê que o ritmo de imunização será mais lento do que o habitual, pois todos os integrantes do público-alvo passarão por avaliação prévia de um profissional de saúde. A partir do dia 24 de maio, as vacinas serão distribuídas para todas as salas de vacinação do município, incluindo as unidades voltadas à saúde indígena.

 

Está no cronograma uma ação especial de drive-thru, na quarta-feira, 1º de maio, feriado do Dia do Trabalho, das 8h às 12h, no pátio da prefeitura.

 

Em abril de 2025, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária aprovou o uso da vacina contra a chikungunya. O governo federal definiu que a aplicação será estratégica, priorizando regiões com risco potencial de transmissão da doença ao longo dos próximos anos. Aproximadamente 20 municípios distribuídos por seis estados brasileiros serão contemplados nessa etapa.

 

“A seleção dos municípios considerou desde fatores epidemiológicos, relacionados à potencial ocorrência de casos de chikungunya em regiões onde o vírus já está circulando, até o tamanho populacional dos municípios e a facilidade operacional de se implementar uma nova vacina no sistema local de saúde em um curto prazo”, informou a prefeitura.


 

Balanço de registros e óbitos

Até 20 de maio, Dourados contabilizava 4.972 casos suspeitos de chikungunya, sendo 2.074 confirmados, enquanto 1.212 foram descartados e outros 2.900 estavam em investigação. Oito mortes foram confirmadas em decorrência de complicações da doença, das quais sete envolveram moradores da reserva indígena.

 

Aporte federal para combate à epidemia

No final de março, o Ministério da Saúde destinou um aporte emergencial de novecentos mil reais para medidas de vigilância, assistência e controle da chikungunya no município de Dourados. Conforme divulgado pela pasta, o valor será repassado em parcela única, do Fundo Nacional de Saúde para o fundo municipal.

 

Com esses recursos, o município poderá intensificar ações de vigilância em saúde, controle do mosquito Aedes aegypti, aprimoramento do atendimento à população e fortalecimento das equipes de assistência direta.

 

Chikungunya: transmissão, histórico e sintomas

A chikungunya é uma arbovirose transmitida por fêmeas infectadas do gênero Aedes, sendo o Aedes aegypti o vetor identificado no Brasil. O vírus foi introduzido nas Américas em 2013, provocando epidemias em vários países da América Central e ilhas do Caribe.

 

Em 2014, o Brasil confirmou laboratorialmente os primeiros casos da doença nos estados do Amapá e Bahia. Atualmente, há registro da circulação do arbovírus em todas as unidades federativas brasileiras.

 

O Ministério da Saúde destaca que, em 2023, houve ampla expansão territorial da chikungunya, especialmente em estados da Região Sudeste, enquanto as maiores taxas anteriormente se concentravam no Nordeste.

 

Os sintomas mais frequentes incluem edema e dor articular intensa, com potencial incapacitante. Também podem ocorrer manifestações fora das articulações. Em situações graves, a chikungunya pode exigir internação hospitalar e, em determinados casos, evoluir para óbito.

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