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Ex-presidente do BRB negociou propina de 146 milhões de reais, segundo PF

Polícia Federal acusa Paulo Henrique Costa de negociar propina milionária com dono do Banco Master; advogado de Costa nega acusações.

16/04/2026 às 18:52
Por: Redação

A Polícia Federal aponta que Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), teria estabelecido acordo com Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, para o recebimento de propina avaliada em 146,5 milhões de reais.

 

Essa informação consta na decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a prisão de Costa nesta terça-feira, durante a quarta fase da Operação Compliance.

 

Segundo as investigações, a propina seria paga por meio da transferência de quatro imóveis de alto padrão localizados em São Paulo, além de dois imóveis em Brasília. A Polícia Federal declarou já ter identificado o repasse de pelo menos 74 milhões de reais até o momento.

 

De acordo com o órgão policial, o pagamento integral não se concretizou porque Daniel Vorcaro teria tomado conhecimento da existência de uma investigação conduzida pela Polícia Federal especificamente sobre as transações realizadas em benefício de Costa. Após obter essa informação, o banqueiro interrompeu a realização dos repasses.

 

As autoridades apontam que Daniel Vorcaro recebeu, em 24 de junho de 2025, do colaborador Felipe Mourão, uma cópia da investigação por meio do aplicativo WhatsApp. Embora essa data seja posterior à paralisação dos pagamentos, registrada em maio, o ministro André Mendonça considerou válida a versão da Polícia Federal. Para Mendonça, "o conjunto de elementos informativos colhidos até o momento aponta a alta probabilidade de que ele tenha tido ciência da instauração do procedimento antes do recebimento das respectivas cópias".

 

Além de Paulo Henrique Costa, também foi preso o advogado Daniel Monteiro, apontado pelas investigações como intermediário e responsável pelo recebimento direto de 86,1 milhões de reais em vantagens ilícitas.

 

A decisão pela prisão preventiva de ambos se fundamentou, segundo o ministro André Mendonça, na continuidade dos atos de ocultação patrimonial, no risco de interferência na coleta de provas, na possibilidade de reorganização do esquema financeiro e jurídico, e ainda na necessidade de garantir a ordem pública, a ordem econômica e a efetividade da persecução penal.

 

A Polícia Federal informa que, em contrapartida ao pagamento da propina, Paulo Henrique Costa teria se comprometido a utilizar recursos do BRB, instituição financeira controlada pelo governo do Distrito Federal, para adquirir carteiras de crédito falsas do Banco Master.

 

Até agora, apurou-se que pelo menos 12,2 bilhões de reais em carteiras de crédito defeituosas foram comprados pelo BRB, porém a instituição ainda não apresentou o número exato dessas aquisições, que pode ser superior ao já identificado.

 

Desde o início dos trabalhos, a Operação Compliance Zero investiga a existência de um mecanismo ilícito estruturado para permitir a criação, comercialização e transferência de carteiras de crédito inexistentes do Banco Master para o BRB.

 

Manifestação da defesa

 

Ao se posicionar em frente ao imóvel onde Paulo Henrique Costa foi detido, o advogado Cleber Lopes, responsável por sua defesa, afirmou que não reconhece como verdadeira a hipótese de pagamento de propina levantada pelas autoridades.

 

“A defesa considera que o Paulo Henrique não representa nenhum perigo para a instrução ou para aplicação da lei penal. Não há notícia de que ele tenha praticado qualquer ato que pudesse atentar contra a instrução criminal”, afirmou o defensor.

 

A matéria foi atualizada às 11h47 para incluir a declaração do advogado de Paulo Henrique Costa.

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