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Lula contesta direito dos EUA de ameaçar outras nações

Presidente brasileiro critica postura de Trump e defende respeito à soberania internacional

17/04/2026 às 00:34
Por: Redação

Durante entrevista exclusiva concedida ao jornal espanhol El País, Luiz Inácio Lula da Silva, presidente do Brasil, criticou de forma contundente as políticas implementadas pelo governo dos Estados Unidos, então liderado por Donald Trump, especialmente em relação ao Irã, Cuba e Venezuela. Lula afirmou que nenhuma autoridade internacional concede à Casa Branca permissão para ameaçar países com os quais não compartilha alinhamento político.

 

“O Trump não tem o direito de acordar de manhã e achar que pode ameaçar um país. Não tem direito. Ele não foi eleito para isso. O mundo não lhe dá direito disso. A Constituição americana não garante isso. E muito menos a carta da ONU [Nações Unidas]”, afirmou Lula.


 

Segundo o presidente brasileiro, o mundo carece de líderes políticos que assumam o compromisso de reconhecer que o planeta não pertence a um único país. Lula ressaltou que cabe especialmente às nações mais influentes a responsabilidade de zelar pela paz mundial.

 

Na semana anterior à entrevista, Donald Trump ameaçou cometer um crime de genocídio contra o Irã caso os termos impostos pelos Estados Unidos para encerrar a guerra no Oriente Médio não fossem aceitos por aquele país.

 

“Nenhum país tem direito de ferir a integridade territorial de outro país. Nenhum país tem o direito de não respeitar a soberania dos outros países”, declarou Lula.


 

Lula também mencionou episódios envolvendo ameaças e intervenções promovidas por Trump contra Cuba e Venezuela. Para o presidente brasileiro, a postura norte-americana desafia princípios internacionais que asseguram o respeito entre as nações.

 

Riscos de novo conflito global

 

Questionado sobre as consequências das políticas de Trump e a possibilidade de um novo conflito internacional de grandes proporções, Lula afirmou que uma terceira guerra mundial provocaria uma tragédia de dimensões muito superiores àquelas observadas na Segunda Guerra Mundial.

 

“Uma terceira guerra mundial será uma tragédia dez vezes mais potente do que foi a tragédia da Segunda Guerra Mundial”, disse.


 

Ao ser indagado sobre a chance real de esse conflito ocorrer, Lula respondeu que, caso persista a ideia de que países podem agir unilateralmente e recorrer ao uso da força sem restrições, a possibilidade não pode ser descartada.

 

“Se continuarem achando que podem levantar de manhã e atirar contra qualquer um, ela pode acontecer”, afirmou.


 

Cuba: bloqueio e situação humanitária

 

O presidente Lula condenou o agravamento do bloqueio energético imposto pelos Estados Unidos contra Cuba, somando-se ao embargo econômico vigente há cerca de sete décadas. Ele classificou o país caribenho como importante para o Brasil e questionou a lógica do isolamento prolongado.

 

Para Lula, não há justificativa plausível para um bloqueio que já dura 70 anos. Ele ponderou que, caso adversários do regime cubano aleguem preocupação com o povo local, deveriam demonstrar o mesmo interesse pelo Haiti, país que não adota o sistema comunista, mas enfrenta sérias dificuldades.

 

O Haiti tem atravessado sucessivas crises econômicas e sociais, com a capital Porto Príncipe submetida ao controle de gangues armadas em boa parte do território.

 

Lula defendeu que Cuba necessita de oportunidades para melhorar as condições internas. Ele indagou como seria possível a sobrevivência de um país impedido de receber alimentos, combustível e energia devido ao bloqueio externo.

 

Posição brasileira sobre a Venezuela

 

Em relação à Venezuela, Lula declarou que a posição do governo brasileiro era a realização de eleições no país vizinho em julho de 2024, com a aceitação dos resultados como condição fundamental para o restabelecimento da paz interna.

 

“[O que não dá é] os EUA acharem que eles podem administrar a Venezuela”, acrescentou Lula.


 

Barreiras comerciais e negociações bilaterais

 

Ao comentar sobre as tarifas impostas pelos Estados Unidos a parte das exportações brasileiras entre abril e agosto de 2025, Lula relembrou diálogo mantido com Donald Trump durante encontro entre ambos. O presidente brasileiro destacou que jamais pediria concordância ideológica ao presidente americano, pois entende que chefes de Estado devem considerar, antes de tudo, os interesses de seus países nas relações bilaterais.

 

Segundo Lula, a retirada da tarifa de 40% sobre produtos brasileiros, como café e carne, ocorreu após negociações entre Brasília e Washington em novembro de 2025. Essas tarifas haviam sido implementadas por Trump e atingiam diversas nações, incluindo o Brasil.

 

Em fevereiro de 2026, a Suprema Corte dos Estados Unidos revogou o aumento tarifário decretado pelo governo Trump, atendendo a pedidos de empresas norte-americanas impactadas pelas restrições impostas a dezenas de países exportadores.

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