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População do Brasil desacelera crescimento e envelhece, aponta IBGE

Taxa de aumento populacional fica abaixo de 0,60% desde 2021, e percentual de idosos alcança 16,6%.

17/04/2026 às 16:29
Por: Redação

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que o crescimento populacional no Brasil vem diminuindo, ao mesmo tempo em que o país enfrenta um processo de envelhecimento demográfico. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad) referente a 2025, a população residente no Brasil chegou a 212,7 milhões de pessoas no ano anterior, o que representa um acréscimo de 0,39% em relação a 2024. Desde 2021, a taxa de aumento populacional permaneceu abaixo de 0,60%. Entre os habitantes, 51,2% são mulheres e 48,8% homens.

 

O levantamento mostra também uma redução na proporção de pessoas com menos de 40 anos, com queda de 6,1% desse segmento em 2025 em comparação a 2012. Em sentido oposto, houve aumento nas faixas etárias superiores: o grupo entre 40 e 49 anos subiu de 13% para 15%; entre 50 e 59 anos, de 10% para 11,8%; e o percentual de pessoas com 60 anos ou mais saltou de 11,3% para 16,6% no período analisado.

 

Essas mudanças demográficas se refletem na pirâmide etária nacional, que entre 2012 e 2025 apresentou base mais estreita e topo mais largo, devido à diminuição do contingente de pessoas com até 39 anos.

 

No âmbito regional, Norte e Nordeste concentram os maiores índices de jovens, com 22,6% e 19,1% das populações compostas por pessoas de até 13 anos, respectivamente. Já as regiões Sudeste e Sul abrigam as maiores proporções de idosos, ambas com 18,1% dos habitantes na faixa de 60 anos ou mais.

 

Houve ainda alterações no modo como a população se autodeclara quanto à cor ou raça. Todas as regiões do país registraram redução no número de pessoas que se consideram brancas: esse grupo caiu de 46,4% em 2012 para 42,6% em 2025. A parcela autodeclarada preta avançou de 7,4% para 10,4% no período. O Norte liderou o aumento percentual da população preta, passando de 8,7% para 12,9%. No Sul, o destaque foi o crescimento da população parda (de 16,7% para 22%) e a maior queda na proporção de brancos (de 78,8% para 72,3%).

 

Mais brasileiros morando sozinhos e mudanças nas moradias

 

O percentual de domicílios habitados por uma única pessoa atingiu 19,7% em 2025, frente a 12,2% em 2012. Apesar disso, a configuração familiar baseada em núcleo parental, que engloba ao menos um casal, mãe com filhos ou pai com filhos, ainda predomina, representando 65,6% dos lares, embora essa participação tenha declinado em relação aos 68,4% de 2012.

 

A pesquisa detalha que, entre os homens que vivem sozinhos, a maioria (56,6%) está na faixa dos 30 aos 59 anos. Entre as mulheres que moram sozinhas, predomina o grupo de 60 anos ou mais, com 56,5%.

 

Sobre a condição dos imóveis, o percentual de residências alugadas cresceu para 23,8%, um aumento de 5,4 pontos percentuais desde 2016. Por sua vez, o número de moradias próprias quitadas recuou para 60,2%, reduzindo-se em 6,6 pontos percentuais no mesmo período.

 

O tipo de habitação também apresenta mudanças: as casas ainda são maioria, representando 82,7% dos domicílios, mas a participação dos apartamentos aumentou para 17,1%.

 

Infraestrutura domiciliar e avanços desiguais

 

De acordo com os dados da pesquisa, 86,1% dos lares brasileiros contam com acesso à rede geral de água, sendo esse índice de 93,1% nas áreas urbanas e de 31,7% nas áreas rurais. A região Norte apresenta o menor acesso à rede geral de água, com 60,9%, além de registrar 22,8% das residências utilizando poços profundos ou artesianos. Já o Sudeste possui 92,4% dos lares abastecidos por rede geral.

 

Quanto ao saneamento, 71,4% dos domicílios no país têm ligação à rede geral ou a fossa conectada à rede. No Norte, esse índice é de 30,6%, com predomínio de alternativas mais precárias de esgotamento sanitário em 39,3% das residências. O Sudeste, por outro lado, alcança 90,7% de lares com acesso à rede geral ou fossa séptica ligada à rede.

 

O serviço de coleta de lixo realizado por empresas de limpeza alcança 86,9% dos domicílios, um avanço de 4,2 pontos percentuais em relação a 2016. Norte e Nordeste apresentam os menores índices de coleta direta, ambos com 79,3%, e têm também os maiores percentuais de lixo queimado nas propriedades, com 14,5% e 13%, respectivamente.

 

No que diz respeito ao fornecimento de energia elétrica, o acesso está próximo da universalização: apenas 2,7% das residências rurais permanecem sem ligação à rede elétrica, enquanto esse percentual cai para 0,5% nas áreas urbanas. O Norte rural concentra os piores indicadores, com 15,1% dos domicílios sem acesso à rede geral de energia.

 

O levantamento também aponta crescimento na posse de bens duráveis, como geladeira, presente em 98,4% dos lares em 2025, e máquina de lavar, encontrada em 72,1% das residências. Em 2016, esses índices eram de 98,1% e 63%, respectivamente.

 

Quanto a veículos, 49,1% dos domicílios possuem carro e 26,2% contam com motocicleta, refletindo mudanças nos padrões de consumo e de mobilidade da população brasileira.

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