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Proposta para extinguir jornada 6x1 ganha força e pode ampliar descanso semanal

Trabalhadores relatam expectativa por dois dias de folga; Congresso discute mudanças na CLT

01/05/2026 às 21:50
Por: Redação

Trabalhadores que atualmente cumprem jornadas semanais de seis dias de trabalho e apenas um dia de folga vislumbram mudanças importantes caso conquistem mais um dia livre, o que permitiria mais tempo com familiares, realização de tarefas domésticas e até viagens curtas.

 

No feriado de 1º de maio, o fim do regime 6x1 se tornou a principal reivindicação apresentada pelas manifestações de trabalhadores, com várias proposições em tramitação no Congresso Nacional neste momento.

 

Darlen Silva, balconista de farmácia de 38 anos que trabalha no Rio de Janeiro, relata que conta com apenas um dia livre por semana para cuidar das demandas do lar.

 

“Tenho duas filhas, então para mim é muito corrida a minha folga. Tenho que fazer tudo dentro de casa, lavar roupa, fazer mercado. Não tenho descanso. Venho trabalhar mais cansada ainda no outro dia.”


 

Com carteira assinada há mais de 15 anos, ela sempre esteve submetida a esse cronograma de trabalho. Na avaliação de Darlen, a rotina é pesada, especialmente para mães e mulheres, pois acumula mais responsabilidades. Nos diálogos com colegas, a expectativa para a possível alteração é frequente.

 

Ela já imagina como aproveitaria os dois dias livres caso a mudança seja aprovada: um deles seria dedicado aos afazeres domésticos e o outro ao descanso ou lazer, como passeios, atividades para as quais atualmente não há tempo disponível. No entanto, Darlen ressalta a importância de garantir que o limite de 40 horas semanais seja respeitado, pois já ouviu relatos de amigos que, ao conquistar dois dias de folga, passaram a trabalhar 11 horas por dia, o que considera ainda mais exaustivo.

 

Impacto no convívio familiar

 

O garçom Alisson dos Santos, de 33 anos, também no Rio de Janeiro, há uma década atua em restaurantes sob a escala 6x1. Ele relata que normalmente utiliza seu único dia de folga para resolver questões pessoais ou dos filhos, como consultas médicas e compromissos escolares, o que inviabiliza o descanso efetivo.

 

“A gente sempre tem que resolver alguma coisa da criança na escola, tem médico, sempre tem alguma coisinha para você fazer. Então, acaba não rendendo o seu dia de descanso. Sempre tem que fazer as coisas de casa.”


 

Para Alisson, a ampliação da folga semanal permitiria maior organização das tarefas e a oportunidade de viajar com a família, algo que considera inviável com apenas um dia livre.

 

“Num dia você organiza as coisas de casa e, no outro dia, consegue passear com a família. Ou, se você vai direto do trabalho, consegue organizar até uma viagem. Com um dia só não, você não consegue fazer nada.”


 

Em São Luís, no Maranhão, Izabelle Nunes, cabeleireira de 26 anos, afirma não acompanhar o debate legislativo, mas é favorável à iniciativa de ampliar o descanso semanal. Para ela, todos os trabalhadores deveriam dispor de no mínimo dois dias de folga, pois a jornada atual prejudica estudos, saúde, lazer e cultura.

 

“Acho que todos nós trabalhadores temos o direito de ter no mínimo dois dias de folga. Cuidar dos nossos estudos, saúde, lazer, cultura e trabalhando nessa escala a gente só se acaba.”


 

Izabelle acredita que um período maior de descanso facilitaria o convívio familiar e a realização das tarefas domésticas.

 

Já a professora Karine Fernandes, de 36 anos, acompanha o tema nas redes sociais. Mesmo não atuando sob a escala 6x1, ela considera fundamental debater a redução da jornada de trabalho, pois entende que a mudança impacta de maneira significativa a qualidade de vida dos profissionais e de suas famílias.

 

“Como mãe, penso em como isso influencia a vivência de crianças que podem ter mais tempo de qualidade com suas mães e pais e como isso tem resultado direto no fortalecimento dos adultos que irão se tornar.”


 

Propostas em análise no Congresso Nacional

 

A discussão para extinguir a escala 6x1 integra a pauta trabalhista prioritária do governo federal e se intensificou com a tramitação de diversas propostas no Congresso Nacional, com expectativa de avanços nas próximas semanas.

 

Entre as medidas em análise, destaca-se a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/19, apresentada pelo deputado Reginaldo Lopes, que prevê a redução da jornada de trabalho de 44 para 36 horas semanais, com implementação gradual ao longo de dez anos. Há também a PEC 8/25, de autoria da deputada Erika Hilton, que propõe uma escala de quatro dias trabalhados por semana, limitada a 36 horas no total.

 

Além disso, o presidente da República encaminhou ao Congresso um projeto de lei em regime de urgência para encerrar a escala 6x1 e reduzir a carga semanal de trabalho para 40 horas. Este projeto, por tramitar em regime de urgência constitucional, deve ser votado em até 45 dias, sob pena de obstruir a pauta do plenário da Câmara dos Deputados.

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