O Tesouro Direto, plataforma que permite a compra de títulos públicos pela internet por pessoas físicas, alcançou um novo patamar em março deste ano ao movimentar o maior valor mensal desde sua criação, em 2002.
No mês de março, as vendas de títulos atingiram 14,79 bilhões de reais, superando todos os registros anteriores do programa. Esse resultado representa um aumento de 79,2% em relação ao mês de fevereiro, quando o volume negociado chegou a 8,2 bilhões de reais. Comparando com março do ano passado, o crescimento foi de 26,5%.
Esse desempenho recorde foi impulsionado principalmente pelo resgate de 7,07 bilhões de reais em títulos atrelados à Selic, a taxa básica de juros da economia. Após o vencimento desses papéis, os investidores optaram pela aquisição de títulos do mesmo tipo.
O recorde anterior em vendas mensais havia sido registrado em janeiro deste ano, quando ocorreu a troca de títulos prefixados vencidos por outros papéis do Tesouro Direto.
Em março, os títulos indexados à Selic foram os mais demandados, respondendo por 52,7% das vendas totais. Os papéis atrelados à inflação, corrigidos pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), representaram 24% do total negociado. Já os títulos prefixados, que oferecem juros definidos no momento da emissão, corresponderam a 15,1% das vendas realizadas.
Entre as opções específicas, o Tesouro Renda+, criado para financiar aposentadorias e lançado no início de 2023, correspondeu a 6,5% das negociações. O Tesouro Educa+, disponibilizado em agosto de 2023 e voltado para a formação de poupança destinada ao ensino superior, representou 1,6% do montante vendido.
O interesse predominante por títulos ligados à Selic se justifica pelo patamar elevado da taxa de juros, que chegou a 14,75% ao ano após permanecer em 10,5% até setembro de 2024. Esse cenário de juros altos mantém esses papéis atrativos para os investidores.
Papéis indexados à inflação continuam despertando interesse devido à expectativa de crescimento do índice oficial de preços nos próximos meses.
O total de recursos alocados no Tesouro Direto alcançou o valor de 234,42 bilhões de reais ao final de março, o que representa uma expansão de 3,29% em relação ao mês anterior, que terminou com 226,93 bilhões de reais. Em relação a março do ano passado, o aumento foi de 41,99%, quando o estoque era de 165,09 bilhões de reais. Esse crescimento decorre tanto das correções proporcionadas pelos juros quanto do fato de as vendas terem superado os resgates em 3,78 bilhões de reais no período.
Durante o mês de março, 288.041 investidores passaram a integrar o programa Tesouro Direto. Com isso, o total de pessoas cadastradas chegou a 35.097.988 em todo o país.
Nos últimos doze meses, observa-se um acréscimo de 9,78% no número de investidores. Considerando apenas aqueles com operações em aberto, ou seja, ativos, o número chegou a 3.418.225, o que corresponde a um aumento de 15,97% em doze meses.
Os dados demonstram uma forte atuação de pequenos investidores, já que 73% das 1.224.134 operações de venda registradas em março envolveram valores de até cinco mil reais. Aplicações de até mil reais responderam por 45,6% dessas operações, e o valor médio por transação foi de 12.083,06 reais.
Há uma preferência por títulos de menor prazo: as vendas de papéis com vencimento de até cinco anos representaram 58,2% do total. Operações com títulos entre cinco e dez anos de prazo corresponderam a 20,9%, enquanto as negociações de papéis com vencimentos superiores a dez anos também totalizaram 20,9%.
Lançado em janeiro de 2002, o Tesouro Direto tem o objetivo de democratizar o acesso à aplicação em títulos públicos, permitindo que cidadãos comprem diretamente do Tesouro Nacional, de forma online, sem a necessidade de intermediários financeiros.
Nesse modelo, o investidor paga apenas uma taxa para a B3, a bolsa de valores brasileira, valor descontado nas transações com os títulos públicos.
A venda de títulos públicos é uma das alternativas utilizadas pelo governo federal para captar recursos necessários ao pagamento de dívidas e ao cumprimento de compromissos financeiros. Em contrapartida, o Tesouro Nacional garante a devolução do valor investido acrescido de uma remuneração, que pode variar conforme a Selic, índices de inflação, câmbio ou, no caso dos títulos prefixados, por uma taxa determinada no momento da emissão.