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Emprego de mulheres cresce 11%, mas diferença salarial aumenta

Relatório do MTE mostra que número de mulheres em empresas aumentou, mas diferença salarial passou de 20,7% para 21,3%

27/04/2026 às 20:30
Por: Redação

A quantidade de mulheres inseridas no mercado de trabalho formal aumentou 11%, alcançando um total de 8 milhões de trabalhadoras em empresas privadas com pelo menos 100 funcionários. Isso significa que houve um acréscimo de cerca de 800 mil postos de trabalho ocupados por mulheres, elevando a participação feminina de 7,2 milhões para 8 milhões entre um relatório e outro divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

 

De acordo com o 5º Relatório de Transparência Salarial e de Critérios Remuneratórios, publicado nesta segunda-feira (27), esse crescimento foi ainda mais expressivo entre mulheres negras, considerando pretas e pardas, cujo número de trabalhadoras aumentou 29% no mesmo período, passando de 3,2 milhões para 4,2 milhões de ocupadas.

 

Apesar dessa expansão do emprego feminino, a desigualdade salarial entre mulheres e homens não apresentou melhora significativa. Conforme o levantamento, a diferença de remuneração média aumentou: enquanto no relatório anterior as mulheres recebiam 20,7% a menos do que os homens, no mais recente, a diferença saltou para 21,3%.

 

Dados sobre remuneração e contratação

O relatório aponta ainda que, ao analisar o salário mediano de contratação – valor que representa o ponto central de uma escala que vai do menor ao maior salário –, a disparidade também cresceu ligeiramente. Passou de 13,7% para 14,3%, variação considerada estável do ponto de vista estatístico pelo MTE.

 

As informações divulgadas têm como base dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) e abrangem cerca de 53,5 mil estabelecimentos com cem ou mais empregados em todo o país.

 

O salário médio nacional, calculado pela soma de todos os salários dividida pelo número total de trabalhadores, atingiu 4.594 reais e 89 centavos. Já o valor mediano de contratação é de 2.295 reais e 36 centavos.

 

Participação feminina na renda total

O peso das mulheres no total da massa de rendimentos também aumentou, subindo de 33,7% para 35,2%. No entanto, esse percentual ainda está aquém da presença das mulheres no emprego, que representa 41,4%. Para que a participação na renda acompanhasse a presença no número de postos, seria necessário um acréscimo de 95,5 bilhões de reais nos salários das trabalhadoras.

 

“Aumentar a massa em 10,6% teria impacto no consumo das famílias e diminuiria a diferença de rendimentos entre homens e mulheres, mas isso representa custo para as empresas, o que as torna mais resistentes a promover essas mudanças”, informou, por meio de nota, a Subsecretaria de Estatística e Estudos do Trabalho do MTE.

 

Ainda segundo o levantamento, foram observados avanços em políticas internas de empresas, incluindo a ampliação da jornada flexível, oferta de auxílio-creche, implementação de licenças parentais estendidas e adoção de planos de cargos e salários. Também houve aumento no número de estabelecimentos com menor desigualdade salarial entre homens e mulheres.

 

Diferenciais regionais e legislação vigente

O relatório detalha que há variação regional na diferença salarial entre gêneros. Os estados com menor diferença percentual são Acre (91,9%), Piauí (92,1%), Distrito Federal (91,2%), Ceará (90,5%), Pernambuco (89,3%), Alagoas (88,8%) e Amapá (86,9%). Já Espírito Santo (70,7%), Rio de Janeiro (71,2%) e Paraná (71,3%) figuram entre as unidades da federação com as maiores desigualdades salariais.

 

O documento integra a implementação da Lei nº 14.611/2023, que institui a obrigatoriedade da transparência salarial como ferramenta para assegurar a equiparação de salários entre homens e mulheres nas empresas.

 

Essa legislação determina que empresas com 100 ou mais funcionários publiquem informações relativas a salários e critérios remuneratórios e adotem medidas para coibir a discriminação de gênero no ambiente de trabalho e ampliar a presença feminina em cargos e funções.

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